"Eu juro que não entendo,
    As pessoas vão disseminando o veneno
    Contaminando seu próprio alimente,
    Acham que estão produzindo o seu sustento,
    Mas estão destruindo quem realmente te sustenta.
    Espero que você me entenda
    E que não se faça a parte,
    Mas até no seu pedaço de carne,
    Vem repleto de uma enorme crueldade,
    Mas eu também me culpo, eu faço arte
    E quando eternizo meus versos numa folha,
    Sinto que eu também faço parte,
    Das mãos que seguraram aquele machado
    Para derrubar essa árvore,
    Destruímos a nossa casa
    Para construir novos lares,
    A união faz a força,
    Até parece que a destruição está em pares
    E parece que quem faz o bem 
    Estão se perdendo aos milhares,
    Chico Mendes e Dorothy Stang,
    Isso sim são heróis de verdade,
    Verdadeiros exemplos de força e coragem,
    Ativistas que sabiam como salvar o planeta 
    Da nossa cruel e desenfreada atividade,
    Mas não puderam salvar eles mesmos
    Da maldade dos verdadeiros selvagens.
    Quem não faz jus a seu exemplo
    Também são culpados da morte
    Desses dois heróis repletos de bondade.
    A terra sofre, está com uma gravíssima enfermidade,
    Ninguém vê, mas ela enfrenta um momento de fragilidade,
    Causa da doença? A própria maldade da humanidade."

                  - Um Tal de Manoel Aí _/\_

    "Corações partidos,
    Na ânsia de encontrarem sua metade,
    Tem deixado o amor em partes
    E ao invés de partilharem,
    Cada um só quer pegar a sua parte,
    Não importam se machucam a outra parte.
    Eles vão partindo sem destino,
    Completamente perdidos,
    Amores distintos
    E gravemente partidos.
    São felinos famintos, feridos,
    A procura de se fartarem num sorriso,
    Mas se enfartam, pois lhes faltam 
    Um prato cheio de vida.
    Tornamos a vida uma guerrilha,
    Investida frustrada, não veem os frutos,
    Pois perdem as suas raízes a procura 
    De uma pessoa bem vestida,
    Vestidos longos, com longos bordados de mentiras,
    Logo veremos os borrados deixados por quem atira,
    Uma promessa de amor que rega o desamor numa ilha,
    De solo infértil, que fertiliza o desafeto,
    Amor é mais do que um fruto é um feto,
    E na arvore da humanidade o amor 
    Só cai quando se sobressai o ego.
    E nessa corrida de cegos,
    Não vemos o que tem no pódio,
    Pois ele foi ofuscado pela sombra dos prédios,
    A recompensa para quem ganhar essa corrida? 
    Uma porção de amor, para curar as nossas feridas,
    Pois esse é o nosso melhor remédio,
    Mas os nossos passos são em falsos,
    Como os amores falsos que são obstáculos 
    Numa estrada onde pisamos em pregos. 
    Mas pra me livrar do mal eu me armei de amor,
    Pois essa é a única arma que comigo eu carrego. 
    E disso estou armado até os dentes, não nego
    Sorriso que reflete o brilho do amor 
    Com a intensidade de um berro que dá até eco,
    Não importo aonde essa estrada vai me levar,
    Mas se o destino for o amor, 
    Sem nenhum medo, apenas me entrego."

           - Um Tal de Manoel Aí _/\_ 

    "Com quantas vidas se faz uma rotina?
    E com quantas rotinas se desfaz uma vida? 
    Pessoas buscando o seu destino no dia-dia,
    Mas parecem que estão destinadas a viverem perdidas,
    Procuram a sua válvula de escape 
    Ou algo que indique uma saída,
    Mas a placa de saída apontava pra uma cortina,
    Pobre coitado, achou que era uma janela,
    Mas era só mais um monte de pedra,
    Parecia até a rotina brincando de pega-pega,
    O pic era um dia de picnic, só que no tempo livre, 
    Eu me jogava no sofá e passava o tempo
    Assistindo os todos desenhos da Nic,
    Pra mim já estava bom, eu me sentia num cruzeiro,
    Mas nem percebi que eu era 
    Só mais um passageiro do Titanic.
    Era só voltar pra minha rotina que sumia o meu sorriso,
    Todos com os semblantes decaídos,
    Narizes empinados, mas pobres de espírito.
    Achavam que estavam cruzando o Mar Vermelho, 
    Mas estavam todos se afogando no Rio Nilo.
    Aí eu percebi que era difícil até tirar um simples cochilo,
    Quando me dei conta já era tarde demais,
    Também já tinha sido engolido, 
    Quem me dera se tivesse sido por uma baleia,
    É que dentro da sua barriga 
    A minha vida seria bem mais bela,
    Me confortaria no desconforto de estar dentro dela,
    Pelo menos me sentiria mais grato,
    Lá eu não precisava me preocupar com meu trabalho.
    Dentro da baleia pode até ser mais frio,
    Mas com certeza eu me sentiria mais confortado,
    Já que nas entranhas do meu dia-dia eu confundo 
    O meu enorme cansaço com a rotina 
    Me dando um grande abraço."

                     - Um Tal de Manoel Ai _/\_

    A arte é a contemplação do universo, 
    Mesmo quando parece que tudo está ao inverso, 
    Aí que se criam os versos, 
    Quando parece que por um instante,
    Tudo do mundo se encontra numa estante 
    E a gente observa os mínimos detalhes, 
    Como se tudo estivesse passando em câmera lenta 
    Pelas lentes dos nossos olhos, 
    A 180p enquanto a nossa mente,
    Transforma tudo em HD,
    A arte é como um vídeo que trava a todo o momento
    E a gente sempre volta tudo do inicio,
    Passando várias vezes pela mesma parte,
    Vendo tudo em partes 
    Detectando cada detalhe,
    Que por uma vez tenha ficado a parte,
    Arte? Quem disse que é loucura?
    Poxa você está certíssimo 
    Mas na verdade arte também é uma textura,
    Que só se sente quando tocamos 
    Cada parte do universo sem nenhuma frescura,
    Sinta o frescor que a arte te traz pela fresta 
    Da parede que separa a realidade da festa
    Dada pela própria arte para aqueles 
    Que aprenderam que ser loucos 
    É tudo o que nos resta.
    Arte é uma pancada em nossa testa,
    E a poesia é um carro sem Airbag 
    Conduzido por um poeta,
    Que causa cada acidente 
    Por virar sem dar a seta,
    Poxa é muita loucura,
    Só aceita."
             
               
    - Um Tal de Manoel Aí, _/\_